Clássico de Sister Rosetta Tharpe retorna em vinil
'Gospel Train' ressurge no novo século, consolidando o legado da pioneira que moldou o rock

O universo do vinil celebra o retorno de um verdadeiro marco fonográfico: Sister Rosetta Tharpe. Seu álbum seminal de 1956, Gospel Train, ganha uma nova prensagem pela prestigiada Verve Vault Series, reacendendo a chama de uma artista cuja influência reverbera até hoje na cultura musical. Este relançamento não é apenas uma homenagem, mas um lembrete contundente da força criativa de uma mulher que ousou transitar entre o sagrado e o profano, deixando um rastro indelével para gerações.
A chegada de Gospel Train ao catálogo da Verve Vault Series destaca a importância atemporal de Tharpe. Reconhecido como uma peça fundamental, não só em sua própria discografia, mas na história da música popular como um todo, o álbum agora está disponível para pré-venda, prometendo encantar tanto os fãs de longa data quanto novos admiradores.
Este lançamento se junta a outras joias que compõem a série, que inclui nomes como Meshell Ndegeocello, Cat Power, Booker Ervin e Freddie Hubbard, todos recebendo o tratamento de reedições especiais que celebram sua contribuição artística.
Um Tesouro Analógico e Histórico

Foto: Universal Music / Verve Records
A nova edição de Gospel Train é um deleite para os audiófilos: prensado em vinil de 180 gramas, o som foi meticulosamente cortado a partir das fitas master originais por Ryan K. Smith, no renomado Sterling Sound. Mantendo a integridade da Verve Vault Series, o álbum é totalmente analógico, garantindo uma experiência sonora autêntica e rica. Mas a relevância de Gospel Train no formato vinil vai além: ele detém um lugar único na história, sendo o primeiro álbum de qualquer gravadora a ser prensado em um vinil de 12 polegadas – um formato que, na época, era uma inovação recém-lançada.
Desde seu lançamento original, Gospel Train foi aclamado pela crítica e pelo público, e seu prestígio só cresceu com o passar das décadas. Sua inclusão no guia de escuta de Tom Moon, "1,000 Recordings To Hear Before You Die", em 2008, reforça seu status como uma obra essencial. A genialidade de Tharpe no álbum é evidente: sua voz, ora potente, ora suave, sempre carregada de alma e intimidade, transcende categorizações musicais. Ela flutua com maestria entre o gospel fervoroso, espirituais clássicos, o blues visceral e o jazz sofisticado, exemplificado na interpretação de Two Little Fishes, Five Loaves of Bread, do compositor Bernie Hanighen.
Além de sua voz incomparável, Sister Rosetta Tharpe assina grande parte das composições e demonstra sua destreza na guitarra ao longo de todas as faixas.
O Legado Que Ecoa
Embora Sister Rosetta Tharpe tenha nos deixado em 1973, sua influência é um rio que continua a correr, moldando o cenário musical muito além de sua existência física. Seu reconhecimento póstumo, como a indução ao Rock And Roll Hall Of Fame em 2018 na categoria de Early Influence, é um testemunho da magnitude de seu impacto. Aqueles que testemunharam seu talento em vida não poupam elogios. A Rolling Stone registrou o depoimento de Gordon Stoker, dos Jordanaires, que lembrou como "Elvis amava Sister Rosetta", fascinado especialmente por sua habilidade na guitarra: "Ele gostava do canto dela, mas gostava daquela batida primeiro – porque era tão diferente."
O próprio Bob Dylan, um gigante da música, capturou a essência de Tharpe com palavras poderosas:
“Sister Rosetta Tharpe era tudo menos comum e simples… Ela era uma mulher grande e bonita, e divina, para não mencionar sublime e esplêndida. Ela era uma força poderosa da natureza. Uma evangelista que tocava guitarra e cantava.”
Essa descrição não apenas ilustra a grandiosidade da artista, mas também a relevância cultural de seu retorno. Em uma era onde a música é consumida de maneira cada vez mais fugaz, revisitar Gospel Train é uma oportunidade de reconectar-se com a raiz de muitos gêneros musicais e celebrar a audácia de uma mulher que pavimentou o caminho para tantos outros.
A Verve Vault Series nos convida a explorar esse legado, que é, sem dúvida, um dos mais importantes da história da música.
