Elvis Costello abre os arquivos e revela 52 gravações inéditas
Box set de 5 CDs/digital celebra a trajetória do disco de estreia do artista, incluindo demos, gravações ao vivo e uma remasterização de 2026

Elvis Costello anunciou o lançamento de um box set que celebra o legado de seu álbum de estreia, My Aim Is True. Intitulado My Aim Is True (49th Anniversary Edition), o lançamento traça a jornada do artista até a gravação de seu primeiro trabalho, apresentando uma vasta coleção de demos, outtakes, gravações ao vivo e outras raridades, muitas delas inéditas. A coleção chega ao mercado em 2 de outubro, com distribuição pela Universal Music Enterprises (UMe).
O box set será composto por cinco CDs e também estará disponível em formato digital, contendo um total de 104 faixas. Desse montante, 52 gravações são inéditas, oferecendo um mergulho profundo no processo criativo de Costello. Além das raridades, a coleção incluirá uma nova remasterização de 2026 do álbum original, feita a partir das fitas analógicas master. O disco remasterizado também será lançado separadamente em vinil preto de 180 gramas e em CD.
Cada um dos cinco discos — My Aim Is True, The Blue Print, The Stranger In The House, Becoming The Attractions e Covered In Clover — vem acompanhado de extensos textos inéditos escritos pelo próprio Costello, bem como fotografias raras e nunca antes publicadas. O material gráfico inclui letras manuscritas, diários de 1976 e listas de músicas que ele apresentava solo na época em que buscava uma audiência em Londres, antes de ser descoberto pela Stiff Records.
A história por trás do disco

Foto: Universal Music
Lançado originalmente em 1977, My Aim Is True marcou a ascensão de Elvis Costello como uma das vozes mais distintas do punk rock e new wave. Gravado com baixo orçamento em apenas quatro sessões de seis horas no Pathway Studios, o álbum foi produzido por Nick Lowe com o apoio da banda americana Clover, que serviu como banda de apoio. O disco é aclamado por sua fusão de letras afiadas, ironia e melodias cativantes, que o estabeleceram como um compositor prolífico e inovador.
O primeiro disco do box set combina o álbum original com a faixa "Watching The Detectives", um de seus primeiros e mais queridos singles, unificando as listas de faixas originais do Reino Unido e dos Estados Unidos. Nick Lowe, em uma nova nota para o box set, relembra o ambiente do estúdio, descrevendo-o como repleto de "cigarros, roupas mal lavadas, unidades elétricas expostas e desinfetante de mictório". Ele destaca a oportunidade de observar de perto "o trabalho extraordinário de um dos principais compositores de canções populares desta ou de qualquer outra era".
O segundo disco, The Blue Print, reúne 17 gravações de 1975 e 1976, incluindo fitas caseiras, as primeiras gravações do Pathway e 13 performances de uma sessão de 1976 no Hope & Anchor Studio. Um destaque é a gravação recentemente descoberta e preservada pela musicista Charlie Dore, contemporânea de Costello nos anos 70, que o mostra experimentando músicas em 1976.
The Stranger In The House é o terceiro disco, contendo 28 demos, outtakes e gravações iniciais de banda, sendo 15 delas inéditas. Inclui todos os outtakes e demos sobreviventes de My Aim Is True, além de faixas da banda pré-profissional de Costello, Flip City. O artista descreve a época: "Na chamada cena Pub Rock, mal nos qualificávamos como coadjuvantes. Estávamos prontos e dispostos, mas as reservas eram poucas e nosso progresso era lento".
Do início em Londres ao reencontro com a banda original
O quarto disco, Becoming The Attractions, documenta a ascensão de Costello ao cativar o público americano no final de 1977 e 1978. Suas 25 faixas, 12 das quais inéditas, incluem gravações ao vivo, transmissões de rádio e uma passagem de som de verão de 1977 no Nashville Room por Costello e sua recém-formada banda, The Attractions.
A coleção culmina com Covered In Clover, uma gravação totalmente inédita do reencontro de Costello em 2007 com a banda americana Clover no Great American Music Hall, em São Francisco. Juntos, eles executam My Aim Is True em sua sequência original do Reino Unido e encerram com "Watching The Detectives", um momento que completa o ciclo para Costello e os músicos que gravaram o álbum três décadas antes.
O artista reflete sobre a experiência: "Fazer meu primeiro disco parecia o começo de algo que eu imaginava há muito tempo, antes de ter qualquer noção de um público potencial".
