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    Universal Music licencia patentes de IA para proteger catálogo de artistas

    Maior gravadora do mundo busca estabelecer regras para a inteligência artificial na música, garantindo direitos e monetização para artistas e detentores de propriedade intelectual

    Universal Music licencia patentes de IA para proteger catálogo de artistas
    Foto: Reprodução / Universal Music Group
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    A Universal Music Group (UMG) anunciou um movimento estratégico significativo no cenário da inteligência artificial aplicada à música, licenciando um portfólio de patentes que visa não apenas abraçar a inovação tecnológica, mas também estabelecer um arcabouço para a monetização, moderação e proteção de conteúdo gerado por IA

    Este passo, que chega ao mercado como uma resposta proativa aos desafios e oportunidades da IA na indústria fonográfica, busca blindar os interesses de artistas e da própria gravadora.

    A iniciativa é liderada pela Music IP Holdings (MIH), uma colaboração entre a UMG e a Liquidax, empresa especializada em gestão de propriedade intelectual. A MIH já licenciou mais de vinte patentes para plataformas emergentes de IA, como Udio e GRAI. O escopo dessas patentes transcende a música, abrangendo também conteúdo derivado por IA que inclui voz e vídeo. 

    O objetivo é criar um ecossistema onde a criatividade humana e a capacidade da máquina se entrelaçam de forma ética e lucrativa, garantindo que os criadores possam gerar, rastrear e monetizar novos fluxos de receita impulsionados pela inteligência artificial, ao mesmo tempo em que se defendem contra o uso não autorizado de seus trabalhos.

    Este movimento da UMG e MIH reflete a crescente importância da IA na produção musical e a necessidade de regulamentação clara. Enquanto a tecnologia avança a passos rápidos, a indústria busca formas de assegurar que os direitos autorais sejam respeitados e que os artistas sejam devidamente compensados. A estratégia da UMG posiciona a gravadora na vanguarda da discussão, buscando moldar o futuro da criatividade digital em vez de apenas reagir às suas transformações.

    A Nova Estrutura da Criação Digital


    Daniel Drolet, CEO da MIH, enfatiza que as patentes licenciadas abrem "novas oportunidades para a inovação responsável". Ele acrescenta que a iniciativa oferece "maior proteção e a possibilidade de compartilhar o valor gerado por seu trabalho" para artistas, compositores e detentores de direitos autorais. A visão é instituir um padrão industrial que não só facilite a criação de conteúdo por IA, mas que também forneça ferramentas robustas para rastrear e monetizar esse conteúdo, combatendo usos indevidos.

    As plataformas Udio e GRAI foram escolhidas como as primeiras licenciadas devido aos seus laços pré-existentes com a UMG. Andrew Sanchez, CEO da Udio, destacou a importância dessa colaboração, afirmando que a parceria com a MIH visa implementar uma infraestrutura que protege os artistas e estabelece diretrizes para que a IA amplifique a criatividade humana. 

    Segundo Sanchez, este trabalho conjunto de tecnologia, licenciamento e colaboração permitirá aos artistas construir um "próximo capítulo" verdadeiramente sustentável em suas carreiras.

    Ilya Liasun, CEO e cofundador da GRAI, plataforma que se projeta como um serviço de streaming social, ressaltou a funcionalidade central das patentes. Ele explicou que, quando um usuário adiciona algo próprio a uma música que aprecia, o artista original é consultado, creditado e remunerado. 

    "Essas patentes são o que tornam isso possível", afirmou Liasun, indicando um modelo de atribuição e compensação automatizada.

    Impacto no Comportamento da Indústria


    A iniciativa da UMG, que já possui parcerias estratégicas com aplicativos de remixagem como o Hook, demonstra um profundo entendimento das transformações do mercado musical. Chris Horton, vice-presidente executivo de tecnologia estratégica da UMG, reforça que as patentes são um meio importante de consolidar uma estratégia que coloca artistas e compositores no centro da inovação ética, garantindo-lhes maior autonomia, influência e participação na cadeia de valor da comunidade criativa.

    A aposta é alta: criar um ecossistema robusto onde criadores, gravadoras, estúdios e plataformas de IA possam operar com liberdade e ética. Paul Ketchel, diretor de operações da MIH, expressa a expectativa de que este quadro regulatório ajude a "eliminar muitos desses processos judiciais e situações pontuais" que têm marcado a interação entre a tecnologia e os direitos autorais. 

    Em um cenário onde a geração de conteúdo por IA avança a passos largos, esta movimentação da Universal Music Group não é apenas uma defesa de seus ativos, mas um modelo para a coexistência entre a criatividade humana e a inteligência artificial, prometendo redefinir não só como a música é feita, mas como é valorizada e compartilhada na cultura pop global.

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