Vinews

Mike Oldfield celebra 35 anos de 'Amarok' com reedição em vinil remasterizado

Mike Oldfield celebra 35 anos de 'Amarok' com reedição em vinil remasterizado
Foto: Own Work / Wikimedia Commons
Compartilhar
O lendário multi-instrumentista britânico Mike Oldfield anunciou uma reedição especial de seu álbum Amarok, lançado originalmente em 1990. A nova versão, que chega às lojas em 31 de outubro, marca os 35 anos da obra e promete uma experiência sonora renovada graças ao processo de remasterização em meia velocidade — técnica que preserva detalhes e fidelidade acústica com precisão superior.

Amarok é considerado por muitos fãs e pelo próprio Oldfield como uma de suas criações mais pessoais e ousadas. Diferente dos formatos convencionais, o álbum original foi concebido como uma única faixa contínua de 60 minutos, sem interrupções ou divisões comerciais. Essa estrutura desafiadora foi uma escolha deliberada do artista, que buscava se afastar das exigências da indústria musical e criar algo puramente artístico.

Na nova edição, o conteúdo foi dividido em quatro segmentos de 15 minutos, distribuídos em dois discos de vinil. Essa adaptação não compromete a integridade da obra, mas permite uma reprodução com qualidade sonora superior, aproveitando ao máximo os recursos do vinil remasterizado. A técnica de meia velocidade, realizada pelo engenheiro Miles Showell, é conhecida por sua capacidade de capturar nuances sutis e ampliar a clareza dos instrumentos.

Além da qualidade sonora, a reedição de Amarok também reacende o interesse por um álbum que, apesar de não ter alcançado grande sucesso comercial na época, é reverenciado por sua complexidade e originalidade. Mike Oldfield gravou a maior parte do disco em seu estúdio doméstico, com a colaboração de Tom Newman, engenheiro de som que também trabalhou em Tubular Bells, seu álbum de estreia e maior sucesso.

O espírito de Amarok é de rebeldia criativa. Oldfield o descreveu como um “protesto raivoso” contra sua gravadora, a Virgin Records, que ele considerava pouco receptiva às suas ideias. Por isso, o álbum foi intencionalmente estruturado para ser difícil de promover: sem refrões, sem singles, sem trechos adequados para rádio. A intenção era clara — criar uma obra que desafiasse os padrões comerciais e celebrasse a liberdade artística.
 
Musicalmente, Amarok é uma viagem sonora que mistura instrumentos tradicionais com objetos inusitados. Além de guitarras, teclados e percussões, o álbum inclui sons produzidos com sapatos, colheres e até um aspirador de pó. Essa abordagem experimental remete à inventividade de Tubular Bells, onde Oldfield já havia usado tubos metálicos pendurados como parte da composição.

Leia mais sobre Lançamentos


Em 'Amarok', Mike Oldfield contou com o retorno dos instrumentos acústicos e performance ao vivo


Outro aspecto marcante da obra é o retorno aos instrumentos acústicos e à performance ao vivo. Após uma década de produções mais digitais, com uso intenso de sintetizadores e computadores, Oldfield optou por uma abordagem mais orgânica. Ele evitou o uso de seu Fairlight CMI e sequenciadores, preferindo pianos antigos, órgãos e gravações manuais. Essa escolha reforça o caráter artesanal e emocional do álbum.

Apesar de não ter sido um sucesso de vendas, Amarok conseguiu entrar no TOP 50 em diversos países europeus. A gravadora chegou a sugerir que o álbum fosse lançado como Tubular Bells II, aproveitando o prestígio do nome. Oldfield recusou, mantendo o título original, inspirado em palavras gaélicas que significam “manhã” ou “feliz”.

A reedição de Amarok é mais do que uma celebração de aniversário — é uma oportunidade para redescobrir uma obra que desafia convenções e convida à reflexão sobre o papel da música como expressão artística.

Para colecionadores, audiófilos e fãs de longa data, essa nova versão representa uma chance única de ouvir Amarok como nunca antes.
#amarok mike oldfield#Featured#marcelo de assis#mike oldfield#mike oldfield amarok#mike oldfield vinil#r7
Compartilhar