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    Clássico 'Tropicália ou Panis et Circencis' ganha edição em vinil splatter

    Reedição revive o marco da música brasileira em vinil exclusivo

    Clássico 'Tropicália ou Panis et Circencis' ganha edição em vinil splatter
    Foto: Universal Music / Philips
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    O relançamento do vinil Tropicália ou Panis et Circencis é uma homenagem a um dos discos mais emblemáticos da música brasileira. Originalmente lançado em 1968, este álbum coletivo reuniu nomes fundamentais da Tropicália, movimento que revolucionou a cena cultural ao misturar elementos da música popular brasileira com influências internacionais, especialmente do rock e da psicodelia.

    A nova edição em vinil, já disponível no site da Umusic Store pelo valor de R$ 299,90, traz um visual diferenciado, com acabamento splatter, que reforça seu caráter exclusivo e colecionável.

    [caption id="attachment_151918" align="alignnone" width="1200"]Clássico 'Tropicália ou Panis et Circencis' ganha edição em vinil splatter Foto: Universal Music / Philips[/caption]
    O projeto original contou com a participação de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Os Mutantes, Tom Zé e Nara Leão, além de arranjos conduzidos por Rogério Duprat. Cada faixa é um retrato da ousadia artística da época, marcada por experimentações sonoras e letras que dialogavam com o contexto político e social do Brasil. Ao revisitar este álbum em uma edição limitada, o público tem a oportunidade de se reconectar com um momento histórico que redefiniu os rumos da música nacional.

    Lançado em 1968, o disco-manifesto de um dos movimentos culturais mais originais do século 20 segue relevante como nunca. Mas Tropicália ou Panis et Circensis não é obra a ser admirada apenas como monumento histórico. Trata-se de um grande disco com ideias musicais e arranjos surpreeendentes, grandes canções, sacadas de repertório e interpretações memoráveis.

    Os artistas que participaram de 'Tropicália'


    Obra coletiva, tem assinatura personalíssima, traçada por dois baianos na faixa dos 25 anos, Caetano Veloso e Gilberto Gil, junto com o maestro Rogério Duprat (carioca radicado em São Paulo, então com 32 anos), autor de todos os arranjos. Um triunfo que nunca seria o mesmo sem a contribuição de um grupo paulistano superjovem chamado Os MutantesRita Lee tinha 20 anos, Arnaldo Baptista, 19, e Sérgio Dias, 17 —, presente em cinco das doze faixas.

    Gravado em maio de 1968, o disco já nasceu transgressor, como um LP todo amarrado conceitualmente, a partir de um roteiro cinematográfico. Com direito a colagens sonoras e efeitos de sonoplastia, como o Sgt. Pepper’s dos Beatles. Caetano, Gil, Duprat e o produtor Manoel Barenbein gravaram em quatro canais, como os rapazes de Liverpool. E, se tiveram muito menos tempo (quatro semanas) e recursos, contaram com a contribuição milionária de Gal Costa, Tom Zé e Nara Leão, além dos Mutantes — e também de momentos iluminados de dois jovens poetas.

     

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    O baiano José Carlos Capinan, parceiro de Gil na faixa de abertura, Miserere Nobis (“tenha piedade de nós”, em latim), deixa claro que aquela revolução pop e colorida era também revolucionária. As referências católicas da letra ensanduicham a fome do Brasil profundo entre fatias de religião e de opressão. Miserere... é uma prece ácida para um país que rima com fuzil e que vive sob a mira dos canhões, como fica explícito ao fim da gravação.

    Mas coube ao piauiense Torquato Neto (1944-1972) lapidar o manifesto prenunciado por Tropicália, a canção. Geléia Geral, escrita com Gil, usa a expressão do poeta Décio Pignatari (1927-2012), autor da frase “na geleia geral brasileira, alguém tem de exercer as funções de medula e de osso”, e extrai do cantor baiano um grande momento. O mocotó de Gil enumera referências pop (concurso de miss) e populares (carne seca na janela), com estocadas contundentes (brutalidade jardim) e uma citação do Manifesto Antropófago lançado pelo escritor modernista Oswald de Andrade (1890-1954) em 1928: “a alegria é a prova dos nove”. Assim fica explícita a filiação maior do tropicalismo, traduzida também na mistura entre bumba-meu-boi e iê-iê-iê.

    Parque Industrial apresenta ao planeta a novidade Tom Zé (autor da música), junto a Gil, Caetano, Gal e os Mutantes. Nela, Duprat apronta mais ainda nas intervenções orquestrais, jogando Hino Nacional e jingle de Melhoral na mistura. O experimentalismo e a irreverência pop do maestro atingem níveis ainda mais altos na lapidar Panis et Circensis, com os Mutantes ambientados em meio a “pessoas na sala de jantar”, uma gravação cultuada mundialmente há mais de três décadas.

    O hit do álbum, porém, seria outra obra-prima, simploriamente pop, lançada como single em julho: Baby, perfeita na voz de Gal Costa, apesar de originalmente escrita para Maria Bethânia. A estrela de Gal também luz no momento mais puramente lírico do LP: Mamãe, Coragem, parceria de Torquato com Caetano.

    O álbum Panis et Circencis é considerado um manifesto musical. Suas canções abordam temas como liberdade, identidade e crítica social, refletindo o espírito contestador dos artistas envolvidos. Essa edição limitada reforça o valor histórico da obra, tornando-se um item indispensável para quem busca compreender a importância da Tropicália na formação da música brasileira contemporânea.

    Há mais de vinte anos, Tropicália ou Panis et Circensis figura no TOP 10 de todas as enquetes e eleições sobre os melhores discos brasileiros de todos os tempos. Para entender os motivos, basta ouvir.

    Confira o conteúdo completo:

    Lado A

    1. Miserere Nobis
    2. Coração Materno
    3. Panis et Circencis
    4. Lindonéia
    5. Parque Industrial
    6. Geléia Geral

    Lado B

    1. Baby
    2. Três Caravelas
    3. Enquanto seu Lobo Não Vem
    4. Mamãe Coragem
    5. Bat Macumba
    6. Hino ao Senhor do Bonfim
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