Warner Music Group abre centro tecnológico global na Índia focado em dados e IA
A gigante musical investe em Bengaluru para desenvolver soluções de inteligência artificial e otimizar a distribuição global, consolidando a Índia como polo de inovação

A Warner Music Group (WMG) anunciou a abertura de um novo centro tecnológico global em Bengaluru, na Índia, com inauguração oficial programada para setembro. O empreendimento representa um movimento estratégico da gigante da indústria musical para centralizar e aprimorar sua infraestrutura de dados e distribuição musical, além de explorar a fronteira da inteligência artificial aplicada ao setor.
A iniciativa visa posicionar a Índia como um epicentro de inovação para as operações globais da companhia.
Este novo hub tecnológico será o motor por trás de toda a gestão de dados e distribuição da WMG, abrangendo desde os canais principais de dados até produtos de dados de audiência e marketing, conforme detalhado pela própria empresa.
A aposta em Bengaluru reflete uma visão clara de otimização e inteligência de dados para impulsionar o negócio em escala global. Mahesh Rao, ex-executivo da Walmart Global Tech India, assume a liderança como Diretor de Engenharia de Software e Líder da Unidade no país, reportando-se diretamente a Leho Nigul, Diretor de Tecnologia da WMG.
A Índia como Polo de Inovação Musical
A escolha de Bengaluru não é casual. A cidade é reconhecida como um dos principais polos tecnológicos globais, e a Índia, com sua vasta e jovem população conectada, representa um mercado em ascensão vertiginosa para o consumo de música digital. Em 2025, aproximadamente 178 milhões de pessoas consumiram música online no país. Embora apenas 8% desses usuários paguem por serviços de streaming, o mercado de assinaturas pagas cresceu 37% ano a ano, atingindo 14,4 milhões de assinantes e gerando uma receita de US$ 118,2 milhões, indicando um potencial de monetização ainda a ser explorado.
Leho Nigul, Diretor de Tecnologia da WMG, enfatiza a importância estratégica da localização.
"Bengaluru não é apenas uma extensão da nossa equipe de tecnologia – é fundamental para a estratégia global de engenharia da WMG"
A empresa planeja um investimento significativo em liderança local, tecnologias modernas e remuneração competitiva globalmente, com o objetivo de atrair talentos capazes de resolver problemas complexos na interseção da música com a inteligência artificial. Mahesh Rao corrobora, afirmando que a WMG busca engenheiros e inovadores ambiciosos para moldar o futuro da indústria musical global a partir de Bengaluru.
A abertura do hub indiano se alinha a uma estratégia tecnológica agressiva da Warner Music Group. A companhia tem se movimentado rapidamente no cenário global, seja por meio de aquisições de startups ou pelo desenvolvimento de produtos internos. Em abril, a WMG adquiriu a Revelator, uma plataforma B2B especializada em distribuição digital, gestão de direitos e análise de royalties, cuja tecnologia já está sendo integrada à ADA, a divisão de distribuição independente da WMG.
Em junho, foi a vez da Sureel AI, uma startup focada em rastrear o uso de obras de artistas em modelos de inteligência artificial, com sua tecnologia já disponível para artistas e selos da Symphonic Distribution.
Iniciativas e Parcerias na Era da IA
Internamente, a equipe de tecnologia da WMG lançou o WMG Pulse, um aplicativo em versão beta que oferece a artistas, compositores e suas equipes uma visão unificada de dados de streaming, audiência e ganhos, funcionando como um painel de controle para a carreira digital. Além disso, a WMG tem sido proativa na regulamentação do uso de IA na música, firmando acordos de licenciamento com empresas como Suno, Udio e KLAY Vision em novembro de 2025.
A companhia também resolveu litígios de direitos autorais e estabeleceu parcerias, como a firmada com a Stability AI no mesmo mês, demonstrando seu compromisso em navegar e moldar o futuro da IA na indústria musical.
A presença da Warner Music Group na Índia tem se solidificado desde o lançamento da Warner Music India em 2020, com sede em Mumbai. A expansão incluiu aquisições estratégicas, como uma participação majoritária na Divo em 2023 e a empresa de gerenciamento E-Positive no mesmo ano.
A Warner Chappell Music India também se estabeleceu em abril, ampliando o braço editorial da WMG no mercado. Jay Mehta, Diretor Geral de Música Gravada e Editoração para a Índia e a SAARC, ressalta que a liderança global reconhece as oportunidades existentes no país, tanto no ecossistema criativo quanto nos talentos tecnológicos.
O cenário competitivo na Índia é intenso. A Universal Music India, por exemplo, adquiriu 30% da produtora de Bollywood Excel Entertainment em janeiro, em um negócio avaliado em US$ 267 milhões.
Sir Lucian Grainge, CEO da UMG, chegou a anunciar que novos lançamentos da empresa na Índia seriam exclusivos para assinantes pagos nos primeiros 72 horas. A HYBE, agência por trás do grupo BTS, também inaugurou sua quinta sede global em Mumbai em setembro de 2025.
Embora os detalhes sobre o tamanho da equipe e o investimento exato do hub de Bengaluru permaneçam confidenciais, a mensagem é clara: a Warner Music Group está investindo no futuro da música, impulsionado pela inteligência artificial e tecnologias emergentes, com a Índia como um de seus corações pulsantes de inovação.
